Hotel Excelsior…uma viagem no tempo

Inspirado em um edifício existente em Milão na Itália e orgulho dos fortalezenses, o Hotel Excelsior foi inaugurado em 31 de dezembro de 1931. Seu proprietário era Plácido Carvalho, rico comerciante de Fortaleza e sua esposa Pierina Rossi.

Foi o primeiro arranha-céu da cidade e o maior hotel do Norte e Nordeste, como foi descrito no cartão postal da época.

Diziam tratar-se do maior do mundo em alvenaria, mas, segundo o pesquisador cearense, Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), a estrutura foi montada em alvenaria de tijolos e trilhos de trem, unidos por argamassa de cimento e cal. Porém, Plácido foi convencido a desistir da idéia por seu cunhado Natali Rossi, que afirmava que a estrutura ficaria muito pesada e desabaria. O projeto que já se encontrava no segundo andar, foi desfeito e a obra concluída em concreto armado, mas a fama continua até hoje.

Sua decoração interna era toda importada da Europa, escolhida por Pierina Rossi.

Hóspedes famosos transitaram por seus salões, como, Orson Wells, o cantor americano Bidu Saião, o tenor Tito Shipe, George Obrier, o cantor das multidões Francisco Alves, Haroldo Silva, Juscelino Kubitschek, Pelé, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra e muitos outros.

Em  julho de 1937, chegou ao Excelsior, uma visitantes ilustre, Amélia Earhart,. A  primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico em vôo solo, em 1932. Estava tentando se transformar na primeira mulher a realizar um voo ao redor do globo, quando se hospedou no Excelsior. Dias depois de sua partida, seu bimotor Electra desapareceu sobre o mar, sem deixar vestígios. Nos papéis de cartas rabiscados e deixados no quarto, ficaram rotas da viagem.

               Foto tirada por Amélia da praça

O bar Americano do Excelsior ficava no sétimo andar, com sua paisagem de serra, sertão e mar, era uma atração à parte. O terraço ficou famoso pelas festas da alta sociedade, principalmente o baile “Carnaval do Sétimo Céu”, como era conhecido pela sociedade cearense. Era a época do lança perfume, dos paletós brancos, dos confetes e serpentinas.

Sua barbearia, toda em louça verde, era ponto de encontro e de conversas calorosas.

Os elevadores em madeira de lei, adornados com espelhos de cristais bisotado, ainda resistem ao tempo.

Com a morte de Plácido de Carvalho, em 3 de junho de 1935, o prédio ficou sendo administrado por sua esposa, Pierina, que em 1938, casou-se com o arquiteto húngaro Emílio Hinko. Em 1957, morre e o prédio passa para seu marido Emilio Hinko.

Em 1965, o terraço foi adaptado para se transformar num centro de convenções, ganhando cobertura quase total, mas o bar, em estilo americano, permaneceu com vista panorâmica. Vidraças por todos os lados permanecem até hoje.

Vista do terraço  do Excelsior

Em 1975, Emilio vai morar no hotel, ocupando o 4º andar e realizou uma grande reforma, trazendo tecnologias como televisão, aparelhos de ar condicionados, telefones e banheiros em todos os quartos.

Com a chegada dos hotéis na beira-mar, os clientes ilustres foram desaparecendo e os hotéis no centro da cidade entraram em declínio. Em 31 de dezembro de 1987, sob pretexto de reforma temporária, o hotel foi fechado e permaneceu com apenas um hóspede, Emilio Hinko.

Emílio faleceu aos 101 anos em janeiro de 2002. A última testemunha residente,da história viva do Excelsior.O prédio pertence a seu herdeiro, o sobrinho, Janos Fuzesi  Junior, cônsul geral da Hungria, que ocupa o primeiro andar do Excelsior com o consulado e  sua imobiliária.

O Excelsior continua imponente, com suas paredes repletas de histórias de um passado de luxo e beleza. E vivo, na lembrança de quem conheceu seus momentos de gloria, como o seu Bessa, vendedor ambulante que há anos está estabelecido na entrada do Excelsior e fala com saudade da época de ouro, “O Hotel estava sempre lotado com artistas, comerciantes. Lembro das noitadas do Excelsior como se fosse hoje. Com a morte do seu Hinko, ficaram as lembranças.

Mas nem tudo é saudade. Hoje o Excelsior está iluminado com o Natal das Luzes, criado pelo Clube Diretores Lojistas (CDL). Um coral de 120 crianças  cantam  musicas natalinas, durante os finais de tarde do mês de dezembro, enquanto o publico observa emocionado.

 E assim o velho Excelsior continua fazendo história.

Texto- Nely de Carvalho

Fotografias- arquivo Amélia Earhart e Nely de Carvalho

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